Cá estamos nós de novo e hoje para falarmos de um daqueles
jogadores que passaram anos e anos no campeonato português, mas que eu só me
recordo de um ou outro momento, ou então de ouvir o seu nome nos relatos da
rádio que consumiam os meus domingos à tarde… e claro, da caderneta da Panini.
Foram muitos os cromos que eu tinha deste jogador, porque forma muitos os anos
que ele por cá andou, na grande maioria, pela primeira liga. O seu nome, esses
muito dificilmente alguma vez o esquecerei: Rui Gregório! Não tem nome de
estrela, e não o era, mas não deixava de ser um jogador muito útil a qualquer
equipa, o que é aliás, facilmente provado com o facto de este jogador se ter
conseguido manter uma dezena de épocas no escalão maior do futebol nacional.
Mas Rui Gregório é daquele tipo de jogadores que ficou com a sua carreira
arruinada no dia do seu batismo: Quando os seus pais decidiram chamar-lhe
Gregório. Fizemos uma revolução em Portugal em 1974, para acabar com a
ditadura, e continuamos a deixar que hajam pessoas com o nome Gregório. Algo
está errado. Em 1895 Oscar Wilde escreveu uma comédia chamada: “A importância
de se chamar Ernesto” (Este blog também é cultura), a carreira deste jogador
bem se podia resumir ao título: “A importância de se chamar Gregório!”. Porque
a verdade é que Rui (E vamos ficar-nos só pelo primeiro nome), conseguiu
contornar o estigma e representar 5 diferentes clubes na primeira liga:
Belenenses (2 vezes distintas), Vitória de Setúbal, Tirsense, Felgueiras e
Santa Clara. Confesso que é nos azuis de Belém que mais me recordo dele. Não da
sua primeira passagem por lá, onde jogou entre 87 e 93, é, aliás formado na
equipa do Restelo. Mas sim da segunda, quando em 1998 regressou ao clube que o
formou, onde se manteve até ao ano 2000. Muitos cromos e recordações tenho eu
desse Belenenses de Figueira, Tuck, Neca ou claro, o eterno Marco Aurélio. De
lá partiu para os Açores, onde cumpriria a sua última época no nosso escalão
maior ao serviço do Santa Clara (2001/2002), sem que antes, na época de 2000/2001,
tenha ajudado a equipa de Ponta Delgada, orientada por Manuel Fernandes e
Carlos Manuel (uma dupla no mínimo peculiar), a garantir a subida na II Liga.
Tirando estes dois clubes, pouco me lembro de Ru Gregório, mas a verdade é que
também jogava naquela equipa do Tirsense de 1994/1995 que garantiu um 8º lugar
e a melhor classificação de sempre dos de Santo Tirso na Liga (Onde foi
orientado por Eurico Gomes, que agora só treina em países onde haja petróleo).
Também fez parte da equipa do Felgueiras, treinada por Jorge Jesus, que alinhou
uma única época na primeira liga, onde partilhou o relvado do Estádio Dr.
Machado Matos, com, entre outros, por exemplo Sérgio Conceição. Antes de tudo
isto, em 1993/1994, esteve uma época ao serviço do Setubal, do famosos Setúbal
de Yakini e treinado por Raúl Águas. Muitas memórias terá com certeza Rui
Gregório do campeonato nacional. Algumas tenho eu de Rui Gregório. Por muito
que passem ao lado da fama, é, e sempre foi, de jogadores como este que se fez
a história do nosso campeonato. Para tranquilizar os fãs posso dizer que o clã
Gregório continua a espalhar magia pelos nosso relvados, pois os dois filhos
deste jogador do Belenenses, estão a dar seguimento à carreira do pai. Se algum
dia ouvirem falar de Gonçalo ou de Tomás Gregório, não é engano, eles existem
mesmo. Para terminar deixem-me dizer-vos o seguinte: o nome completo deste
senhor é Rui Pedro Prata da Conceição Gregório… Há coisas mesmo giras, não há?
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