Hoje vamos falar de um daqueles que foi sem dúvida nenhuma
um dos defesas esquerdos mais míticos do nosso campeonato. Não só pelos anos
que por cá andou, mas sobretudo por causa do penteado. Rogério Matias! Rogério
Matias que do ponto de vista da estética capilar, era uma espécie de Nuno
Gomes, mas com o cabelo menos cuidado. Não conseguia deixar de olhar para ele
sem me lembrar de uma concentração de motards. Em poucas palavras dizer que
este jogador parecia um daqueles saudosistas da era da disco do anos 70, e
fazia-o transparecer nos relvados. Futebolisticamente era um jogador de um
nível bastante aceitável. Não era menino para fazer nada de extraordinário,
para num jogo fazer sozinho a diferença, mas a verdade é que cumpria com a
função que lhe era incumbida e se há coisa que eu recordo neste jogador, é que
em dia sim, podia ser muito perigoso nas suas incursões ofensivas. O seu
currículo foi quase todo preenchido na primeira liga do futebol português.
Depois de um período onde andou um pouco perdido, após a sua formação (no
Benfica), um período onde experimentou várias equipas de escalões inferiores do
nosso futebol, foi no União de Coimbra (que para ser sincero nem sei se ainda
existe tal coisa…), que acabou por dar nas vistas e lhe proporcionou o salto
para outras paragens. Na altura (1998), foi então Carlos Manuel, que o resgatou
à equipa da cidade do Mondego, e o levou para Campo Maior, para representar o
então primodivisionário Campomaiorense (que desapareceu quando as vendas do
Café Delta deixaram de ser suficientes para alimentar clubes da Liga). Pois
bem. Rogério Matias cumpriu. Teve duas épocas interessantes na equipa do Alto
Alentejo, e foi no ano 2000 que se virou completamente para Norte. Chegou ao
Minho, a Guimarães pelas mão de Paulo Autuori (na década de 90, 5 épocas
consecutivas treinador do Marítimo, o que lhe valeu uma não muito bem sucedida
incursão no Benfica em 96-97), e a verdade é que com ou sem Autuori, Matias
prevaleceu. E digo isto porque, grande parte da temporada o Vitória jogou sem
Autuori, visto que as coisas também não correram por aí além para o treinador
brasileiro, que saiu poucos meses depois. Nessa época, os minhotos foram
treinados por ainda mais dois treinadores: Augusto Inácio e Álvaro Magalhães.
Contudo, os treinadores vinham e iam, e Rogério Matias ia ficando. E ficou por
6 épocas, mesmo com aquele corte de cabelo. Foi treinado por nomes como Jorge
Jesus ou Jaime Pacheco durante a sua incursão pela cidade berço, e com todos
eles foi sempre titular indiscutível na esquerda da defesa vitoriana. Mas foi
na época em que foi treinado por Jaime Pacheco, que algo correu mal. Não apenas
para ele, para toda a cidade de Guimarães. Corria a temporada 2005-2006, as
esperanças no Minho eram grandes. O Vitória tinha uma das equipas com mais
nomes sonantes dos últimos anos, e com um ex-campeão nacional ao leme nada
podia correr mal. Mas correu, e de que maneira! Os de Guimarães começaram mal e
nunca se endireitaram, e nem mesmo a chegada de Vítor Pontes na segunda parte
do campeonato evitou um destino que ninguém previa: a segunda liga! O Vitória
desceu, mas Rogério Matias não foi arrastado e decidiu mudar de ares. Na sus
única incursão pelo estrangeiro passou a época 2006-2007 na Bélgica, ao serviço
de um Standard de Liége cheio de nomes bem nossos conhecidos. Treinado por
Michelle Preud´Homme contava como jogadores como os portugueses Sérgio
Conceição, Ricardo Sá Pinto, Areias ou Nuno André Coelho. Ou com jogadores
também bem conhecidos do nosso campeonato como Defour, Witsel ou Onyewu. E para
quem gosta de andar atento aos campeonatos internacionais foi neste Standard,
nesta época, que apareceram jogadores como Fellaini, Dembélé ou Dante. O que é
certo é que isto não foi suficiente e a equipa de Liége acabou a Jupiler Legue
num modesto 3º lugar. No ano seguinte Rogério Matias estava de volta a Portugal
e de regresso ao Norte. Para acabar a carreira em Vila do Conde, ao serviço do
Rio Ave. Estiveram longe de ser as suas épocas mais áureas, e por isso mesmo em
2009 encostou as botas. Mas para quem anda atento ao nosso campeonato
dificilmente será esquecido. Sobretudo em Guimarães. No futebol atual, vestir a
camisola do mesmo clube 6 temporadas consecutivas é algo que já não se usa.
Rogério Matias fê-lo e por isso mesmo ficou na memória de um clube.
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