quinta-feira, 15 de agosto de 2013

15 - Rogério Matias (Vitória de Guimarães 00-06)

Hoje vamos falar de um daqueles que foi sem dúvida nenhuma um dos defesas esquerdos mais míticos do nosso campeonato. Não só pelos anos que por cá andou, mas sobretudo por causa do penteado. Rogério Matias! Rogério Matias que do ponto de vista da estética capilar, era uma espécie de Nuno Gomes, mas com o cabelo menos cuidado. Não conseguia deixar de olhar para ele sem me lembrar de uma concentração de motards. Em poucas palavras dizer que este jogador parecia um daqueles saudosistas da era da disco do anos 70, e fazia-o transparecer nos relvados. Futebolisticamente era um jogador de um nível bastante aceitável. Não era menino para fazer nada de extraordinário, para num jogo fazer sozinho a diferença, mas a verdade é que cumpria com a função que lhe era incumbida e se há coisa que eu recordo neste jogador, é que em dia sim, podia ser muito perigoso nas suas incursões ofensivas. O seu currículo foi quase todo preenchido na primeira liga do futebol português. Depois de um período onde andou um pouco perdido, após a sua formação (no Benfica), um período onde experimentou várias equipas de escalões inferiores do nosso futebol, foi no União de Coimbra (que para ser sincero nem sei se ainda existe tal coisa…), que acabou por dar nas vistas e lhe proporcionou o salto para outras paragens. Na altura (1998), foi então Carlos Manuel, que o resgatou à equipa da cidade do Mondego, e o levou para Campo Maior, para representar o então primodivisionário Campomaiorense (que desapareceu quando as vendas do Café Delta deixaram de ser suficientes para alimentar clubes da Liga). Pois bem. Rogério Matias cumpriu. Teve duas épocas interessantes na equipa do Alto Alentejo, e foi no ano 2000 que se virou completamente para Norte. Chegou ao Minho, a Guimarães pelas mão de Paulo Autuori (na década de 90, 5 épocas consecutivas treinador do Marítimo, o que lhe valeu uma não muito bem sucedida incursão no Benfica em 96-97), e a verdade é que com ou sem Autuori, Matias prevaleceu. E digo isto porque, grande parte da temporada o Vitória jogou sem Autuori, visto que as coisas também não correram por aí além para o treinador brasileiro, que saiu poucos meses depois. Nessa época, os minhotos foram treinados por ainda mais dois treinadores: Augusto Inácio e Álvaro Magalhães. Contudo, os treinadores vinham e iam, e Rogério Matias ia ficando. E ficou por 6 épocas, mesmo com aquele corte de cabelo. Foi treinado por nomes como Jorge Jesus ou Jaime Pacheco durante a sua incursão pela cidade berço, e com todos eles foi sempre titular indiscutível na esquerda da defesa vitoriana. Mas foi na época em que foi treinado por Jaime Pacheco, que algo correu mal. Não apenas para ele, para toda a cidade de Guimarães. Corria a temporada 2005-2006, as esperanças no Minho eram grandes. O Vitória tinha uma das equipas com mais nomes sonantes dos últimos anos, e com um ex-campeão nacional ao leme nada podia correr mal. Mas correu, e de que maneira! Os de Guimarães começaram mal e nunca se endireitaram, e nem mesmo a chegada de Vítor Pontes na segunda parte do campeonato evitou um destino que ninguém previa: a segunda liga! O Vitória desceu, mas Rogério Matias não foi arrastado e decidiu mudar de ares. Na sus única incursão pelo estrangeiro passou a época 2006-2007 na Bélgica, ao serviço de um Standard de Liége cheio de nomes bem nossos conhecidos. Treinado por Michelle Preud´Homme contava como jogadores como os portugueses Sérgio Conceição, Ricardo Sá Pinto, Areias ou Nuno André Coelho. Ou com jogadores também bem conhecidos do nosso campeonato como Defour, Witsel ou Onyewu. E para quem gosta de andar atento aos campeonatos internacionais foi neste Standard, nesta época, que apareceram jogadores como Fellaini, Dembélé ou Dante. O que é certo é que isto não foi suficiente e a equipa de Liége acabou a Jupiler Legue num modesto 3º lugar. No ano seguinte Rogério Matias estava de volta a Portugal e de regresso ao Norte. Para acabar a carreira em Vila do Conde, ao serviço do Rio Ave. Estiveram longe de ser as suas épocas mais áureas, e por isso mesmo em 2009 encostou as botas. Mas para quem anda atento ao nosso campeonato dificilmente será esquecido. Sobretudo em Guimarães. No futebol atual, vestir a camisola do mesmo clube 6 temporadas consecutivas é algo que já não se usa. Rogério Matias fê-lo e por isso mesmo ficou na memória de um clube.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

14 - Juninho Petrolina (Beira-Mar 01-04)


O auge! Aquele momento da carreira de um jogador em que ele atinge o seu máximo potencial. Este período para muitos jogadores pode durar toda uma carreira, para outros é apenas um pico de forma passageiro e que desvanece fazendo-os voltar ao nível dos normais. Foi um auge destes, ou algo parecido com isso, que Juninho Petrolina viveu durante as épocas que vestiu a camisola do Beira-Mar. Sempre orientado pelo mítico António Sousa, este médio brasileiro de características ofensivas, permaneceu em Aveiro 3 anos, e durante esse período foi sempre, ou quase sempre, o jogador mais influente da sua equipa. Na altura, recordo-me, chegou-se a falar do interesse dos “grandes” do futebol nacional, e mesmo de alguns clubes estrangeiros neste “aparente prodígio” (Que cedo desapareceu), que o Beira-Mar recrutou dos brasileiros do Santa Cruz. E realmente o caso era digno de analise por parte do scout dos grandes clubes. Porque Juninho, em 3 temporadas, vestiu a camisola dos aveirenses para liga quase em 60 ocasiões, titular indiscutível e maestro daquele que foi porventura o Beira-Mar mais seguro de sempre na primeira liga (as 3 épocas com Juninho Petrolina proporcionaram ao Beira-Mar por três vezes a manutenção, sempre terminando a Liga num lugar confortável em relação à linha de água, coisa que ultimamente não tem acontecido, e resultou na relegação da equipa de Aveiro para o segundo escalão esta temporada). Quanto a Juninho Petrolina, no aspeto individual, a sua melhor época em Aveiro foi sem dúvida a última, a de 2003-2004. Participou em 28 jogos e fez 8 golos, o que é honestamente positivo para um médio, ainda para mais um médio de uma equipa com objetivos modestos. Estes números podem ser mais facilmente explicados se tivermos em consideração as características do jogador: Homem de forte (e fácil) remate e que aparecia muito bem em posição de finalização. Esta última época pode não lhe ter valido um contrato com um grande, mas valeu-lhe uma viagem até à capita, para representar o Belenenses. O treinador dos azuis do Restelo de então, Carlos Carvalhal, viu neste brasileiro um jogador que podia levar os lisboetas para um novo nível. Mas não foi isso que aconteceu. Aliás, o que aconteceu esteve muito longe disso. Em Belém foi o principio do fim do Juninho que parecia ainda poder encantar nos nossos relvados durante mais algumas épocas. Em toda a temporada fez 24 jogos (todos para um campeonato) e a sua veia goleadora desapareceu (marcou apenas um golo, à jornada 17, perante o Vitória de Setúbal), e a sua desorientação fica bem patente no seu registo disciplinar: depois de 3 épocas em Aveiro, em que viu, no total, 7 amarelos, chega ao Belenenses, e numa única temporada (2004-2005), carimba na sua ficha o seguinte pecúlio: 9 amarelos e 2 vermelhos! Muito mau para um defesa. Incompreensível para um médio. A partir daqui foi o descalabro. Juninho na época seguinte ainda tentou reencontrar-se consigo próprio, voltando ao Brasil, para representar o Naútico, mas 6 meses depois regressava ao país onde foi feliz! Jogou a temporada 2005-2006 ao serviço do Penafiel, mas já não havia nada a fazer pela sua carreira. E no ano a seguir estava a jogar no poderosíssimo campeonato de Hong Kong, numa equipa com o nome maricas de: Happy Valley. Mas a sua aventura asiática também não durou mais que alguns meses e decidiu regressar definitivamente ao Brasil (em 2007), e onde ainda está ativo. E querem saber quando é que a carreira de um jogador atinge definitivamente o fundo do poço? Então aqui vai: desde o seu regresso ao Brasil em 2007 até ao dia de hoje, portanto nos últimos 6 anos, Juninho Petrolina representou nada mais, nada menos que 12! 12! Clubes diferentes! Para não dizerem que as informações ficam completas, aqui fica o nome das 12 equipas que contaram com o antigo médio do Beira-Mar nas suas fileiras na última meia dúzia de anos: ABC; América RN; Confiança; Atlético BA; São Luiz; Picos; Botafogo PB; Juazeirense; Central; Juazeiro; Sergipe; Concórdia;

Pode haver jogadores com muito toque de bola. Com muitas histórias para contar. Mas camisolas ninguém tem mais que Juninho Petrolina…

terça-feira, 13 de agosto de 2013

13 - Rui Gregório (Belenenses 98-00)

Cá estamos nós de novo e hoje para falarmos de um daqueles jogadores que passaram anos e anos no campeonato português, mas que eu só me recordo de um ou outro momento, ou então de ouvir o seu nome nos relatos da rádio que consumiam os meus domingos à tarde… e claro, da caderneta da Panini. Foram muitos os cromos que eu tinha deste jogador, porque forma muitos os anos que ele por cá andou, na grande maioria, pela primeira liga. O seu nome, esses muito dificilmente alguma vez o esquecerei: Rui Gregório! Não tem nome de estrela, e não o era, mas não deixava de ser um jogador muito útil a qualquer equipa, o que é aliás, facilmente provado com o facto de este jogador se ter conseguido manter uma dezena de épocas no escalão maior do futebol nacional. Mas Rui Gregório é daquele tipo de jogadores que ficou com a sua carreira arruinada no dia do seu batismo: Quando os seus pais decidiram chamar-lhe Gregório. Fizemos uma revolução em Portugal em 1974, para acabar com a ditadura, e continuamos a deixar que hajam pessoas com o nome Gregório. Algo está errado. Em 1895 Oscar Wilde escreveu uma comédia chamada: “A importância de se chamar Ernesto” (Este blog também é cultura), a carreira deste jogador bem se podia resumir ao título: “A importância de se chamar Gregório!”. Porque a verdade é que Rui (E vamos ficar-nos só pelo primeiro nome), conseguiu contornar o estigma e representar 5 diferentes clubes na primeira liga: Belenenses (2 vezes distintas), Vitória de Setúbal, Tirsense, Felgueiras e Santa Clara. Confesso que é nos azuis de Belém que mais me recordo dele. Não da sua primeira passagem por lá, onde jogou entre 87 e 93, é, aliás formado na equipa do Restelo. Mas sim da segunda, quando em 1998 regressou ao clube que o formou, onde se manteve até ao ano 2000. Muitos cromos e recordações tenho eu desse Belenenses de Figueira, Tuck, Neca ou claro, o eterno Marco Aurélio. De lá partiu para os Açores, onde cumpriria a sua última época no nosso escalão maior ao serviço do Santa Clara (2001/2002), sem que antes, na época de 2000/2001, tenha ajudado a equipa de Ponta Delgada, orientada por Manuel Fernandes e Carlos Manuel (uma dupla no mínimo peculiar), a garantir a subida na II Liga. Tirando estes dois clubes, pouco me lembro de Ru Gregório, mas a verdade é que também jogava naquela equipa do Tirsense de 1994/1995 que garantiu um 8º lugar e a melhor classificação de sempre dos de Santo Tirso na Liga (Onde foi orientado por Eurico Gomes, que agora só treina em países onde haja petróleo). Também fez parte da equipa do Felgueiras, treinada por Jorge Jesus, que alinhou uma única época na primeira liga, onde partilhou o relvado do Estádio Dr. Machado Matos, com, entre outros, por exemplo Sérgio Conceição. Antes de tudo isto, em 1993/1994, esteve uma época ao serviço do Setubal, do famosos Setúbal de Yakini e treinado por Raúl Águas. Muitas memórias terá com certeza Rui Gregório do campeonato nacional. Algumas tenho eu de Rui Gregório. Por muito que passem ao lado da fama, é, e sempre foi, de jogadores como este que se fez a história do nosso campeonato. Para tranquilizar os fãs posso dizer que o clã Gregório continua a espalhar magia pelos nosso relvados, pois os dois filhos deste jogador do Belenenses, estão a dar seguimento à carreira do pai. Se algum dia ouvirem falar de Gonçalo ou de Tomás Gregório, não é engano, eles existem mesmo. Para terminar deixem-me dizer-vos o seguinte: o nome completo deste senhor é Rui Pedro Prata da Conceição Gregório… Há coisas mesmo giras, não há?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

12 - Marcelo (Benfica 95-96)



Estamos de regresso, e para voltarmos em grande, vamos reviver um desastre! Um desastre da gestão futebolística de Manuel Damásio, antigo presidente do Benfica, e que teve o seu auge na época de 95/96, quando este senhor decidiu praticamente destruir toda uma equipa encarnada, que tinha sido campeã duas épocas antes, sob o comando técnico de Toni, e construir toda uma nova armada, que estava (e esteve!) muito longe de ser a armada invencível. Uma das razões para tal ter acontecido, é que a tripulação do barco, não era grande coisa. O Benfica que começou a época com Artur Jorge no comando técnico, e acabou com aquele que durante anos foi o pronto de socorro da direção do clube lisboeta quando algo corria mal: Mário Wilson. No final: Porto campeão (sob a batuta de Bobby Robson, o 2º título do único penta que o nosso campeonato conheceu…), e o Benfica a 11 pontos de distância. Mas esta história começou muito mais cedo. E a forma como começou, é provavelmente tão ou mais importante do que a forma como acabou. Que foi a política de transferências levada a cabo no Verão de 95, e que teve resultados desastrosos, e não só para o Benfica (Já lá vamos…). Saíram 17 jogadores! (Entre eles algumas referências o Benfica de então, como César Brito, Isaías, Mozart, Paulo Madeira, António Veloso, Cláudio Caniggia ou Vítor Paneira), e entraram praticamente outros tantos. Para colmatar estas ausências o Benfica não quis investir muito e dedicou-se ao mercado nacional. Foi ao Algarve (no caso ao Farense), buscar por exemplo King. Defesa central brasileiro, com pés extremamente perecidos com tijolos, que também tinha representado o Sporting de Braga anteriormente, e que para futura referência, se alguém perguntar, eu nunca pronunciei aqui o seu nome. Mas a grande fezada da direção do Benfica vinha de… Santo Tirso! O Tirsense que tinha acabado de conquistar um histórico 8º lugar (melhor classificação de sempre da equipa na primeira liga), e que por isso mesmo se viu privada de alguns dos seus melhores jogadores, como por exemplo Giovanella, que brilharia anos mais tarde ao serviço do Celta de Vigo. E duas dessas estrelas (ou super estrelas, devo dizer?!?), vieram parar à Luz, pela mão de Damásio. Falamos do defesa Paredão, que devido ao facto deste ser um blog de bom gosto, eu me vou abster do direito de comentar as suas habilidades futebolísticas (Se bem que não vaio grande mal ao mundo com a sua contratação, apenas participou em 6 jogos na liga… nada que o tivesse impedido de ter tempo suficiente para marcar um golo na própria baliza contra o Leça, em plena Luz…), e o outro, a grande coqueluche da equipa de Santo Tirso, e a grande desculpa para este nosso regresso: Marcelo! Não sei se perceberam que este texto não é sobre o jogador em si. É sobre tudo aquilo que a época 95/96 representou para o Benfica. E Marcelo é a personificação ideal para tal explicação. Havia feito nada mais nada menos que 17 golos com a camisola do Tirsense na época anterior, um deles ao Benfica, o que é honestamente positivo, mas apanhou um Benfica em mudança, e que jogava muito pouquinho à bola. Marcelo, que até tinha as credenciais necessárias para brilhar, nunca se afirmou. Marcou 7 golos na liga é verdade. Mas também é verdade que fez mais de 2000 minutos, e participou em mais de 30 jogos. E para marcar esses 7 golos, teve que falhar 50. Na época seguinte, o Benfica voltou a mudar tudo (era hábito para os lados da Luz nos anos 90: acaba-se a época, baralha-se e volta-se a dar). E Marcelo foi junto na corrente e acabou no Alavés. Era tarde de mais para ele, a sua época gloriosa de 94-95, tinha sido obra do acaso, e o guia de marcha para as divisões secundárias inglesas aconteceu poucos meses depois. O curioso: Ainda veio a Portugal acabar carreira, em 2002, com a camisola da Académica, porventura porque achava que vestir de preto era o que lhe dava sorte. Não era! As camisolas não jogam à bola. Na sua época de regresso (2002-2003), 14 jogos… 1 golo, marcado em Coimbra num empate 2-2 com o Vitória de Guimarães. Marcelo podia ter rendido mais, é verdade. Mas o Benfica passou ao lado da segunda metade dos anos 90, e Marcelo passou ao lado do Benfica (e normalmente ao lado da bola…). Quem mais se tramou com isto tudo? Pois é! O Tirsense! Depois de um fantástico oitavo lugar (num campeonato a 18 equipas), na época anterior, perdeu as suas referências e em 95-96… o trambolhão! Lanterna vermelha, último lugar no campeonato, e o inicio de uma queda vertiginosa que só acabaria nos distritais. Manuel Damásio tinha de facto um dom muito especial…

(Na foto Marcelo à direita de Hassan, avançado marroquino que passou pelo Benfica, mas que foi de certeza em Faro (onde esteve ao serviço do Farense), que deixou mais saudades... Parafraseando o grande Toni: A culpa é do Hassan, caralho?!?)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

11. Gilmar (Vitória de Guimarães 94-99)




A Caderneta da Panini vai de novo recuar até aos meus nostálgicos anos 90, e subir até ao Norte, especificamente ao Minho, para falar daquele que é o jogador do Vitória de Guimarães desses tempos que mais me recordo: Gilmar! Desse Vitória, antes de mais nada, do que me lembro com mais entusiasmo é do equipamento. Na minha opinião o mais bonito que o clube da cidade berço teve desde que vejo futebol. Era uma indumentária da Adidas, com um patrocínio à farmacêutica Bayer, que só por si já conferia um estatuto de “grande” e “internacional” a este VSC. E a verdade é que por estes tempos era mesmo. Não que agora não o seja, mas recordo-me de uma mítica eliminatória contra o Parma (na altura um poderoso Parma, com jogadores como Buffon, Canavarro, Chiesa ou Crespo nas suas fileiras), que fez parar toda a cidade, em que depois de uma derrota por 2-1 em Itália a equipa portuguesa bateu os transalpinos por 2-0 no D. Afonso Henriques, seguindo para a eliminatória seguinte onde cairia aos pés dos Belgas do Anderlecht. Se formos ver agora, estamos a falar de um Vitória com Zahovic, Capucho, Neno, Fernando Meira ou Vítor Paneira… mas o curioso é que se me perguntassem isso quando me comecei a escrever este texto: “Diz-me o nome de um jogador que pertencia à equipa do Vitória de Guimarães que arrumou com o Parma da Taça UEFA?” Eu só teria duas respostas: Gilmar ou Arley. Arley, e para rematar já esta questão porque achava piada ao nome deste brasileiro e ao seu cabelo muito pouco penteado nos cromos da minha caderneta Panini. Gilmar, porque a ideia que tenho dele é a de um dos melhores pontas de lança que passou em Portugal a jogar fora dos “três grandes”. É óbvio que isto quando se fala de “três grandes” está-se a meter de lado, na minha opinião injustamente a verdadeira alma vitoriana, mas certamente todos entendem o que quero dizer por isto. A minha ideia está longe de estar errada. Pelo menos é isso que dizem os números de Gilmar na primeira liga portuguesa: Nas 5 épocas no Vitória (e pelo meio a época de 95/96 que para o avançado foi para esquecer), marcou 48 golos só no campeonato. A uma média de quase 10 golos por época, sendo que nunca fez mais que 30 jogos (recorde-se que na altura o campeonato tinha 34 jornadas). Não são muitos os avançados que se podem orgulhar de fazer uma dezena de golos por época durante 5 épocas no mesmo clube, não sendo esse mesmo um declarado candidato ao título. Pois bem, Gilmar pode. É por isso que eu o recordo. E provavelmente por jogar num ou no melhor Vitória de Guimarães da minha era…  

domingo, 14 de outubro de 2012

10. Andrzej Juskowiak (Sporting 92-95)



Já aqui falei de Mielcarski, um dos jogadores do FC Porto com quem mais simpatizava dos anos 90, e agora chegou a vez de falarmos daquele que era o jogador do Sporting CP, que usufruía de um estatuto idêntico. Curiosamente também era Polaco, também ele avançado, e o seu nome conseguia ser ainda mais difícil de pronunciar: Andrzej Juskowiak! As razões para eu gostar deste jogador nada tinham a ver com algum jogo sinistro para a GameBoy Color como o antigo jogador do Futebol Clube do Porto, mas sim a um golo que eu me recordo apontado por este avançado oriundo da Polónia que vi vezes sem conta numa daquelas cassetes de VHS que não me cansava de ver e hoje não me canso de recordar. Lembro-me que esta em particular remontava a época de 93/94, porque era aquela que eu via mais vezes, pois de todas as que possuía era a única em que no final a festa do título era feita a vermelho e branco. Recordo-me perfeitamente do golo em questão: um cruzamento meio atabalhoado do lado direito, para as costas do ponta de lança leonino e este num gesto acrobática consegue improvisar um pontapé de bicicleta e finalizar o lance com um grande golo. A verdade é que embora me recorde desta parte, se não tivesse acesso ao YouTube nunca vos poderia dizer quem era o adversário do Sporting nessa partida… era o Boavista, o jogo foi no antigo José de Alvalade e a equipa Lisboeta derrotou os Axadrezados por 3-1… Confesso, tudo que ainda estava na minha cabeça era aquele passe imperfeito e o gesto técnico irrepreensível do ex. leão. Se me perguntassem se Juskowiak era uma avançado monumental eu responder-vos-ia, de antemão que sim, porque para mim ele era apenas e só o homem que sacou daquela obra-prima. Vendo agora os seus números na Liga Portuguesa, com uma visão mais clara e não encantada pelos meus tempos a ouvir os comentários do Sr Gabriel Alves, parece-me claro que não estamos a falar propriamente de nenhum ás dos relvados. O Sporting adquiriu os seus direitos desportivos no principio da época 92-93, ao Lech Poznan, e por cá andou 3 épocas até se aventurar no futebol grego para representar os Atenienses do Olympiacos. Tal como eu disse anteriormente não sendo nenhum ás dos relvados tem uns números interessantes para um ponta de lança que não era dono do estatuto de titular indiscutível: 25 golos em 3 temporadas, no campeonato, com o score de 9, 6 e 10 golos na primeira, segunda e terceira temporadas respetivamente. E as minhas memórias Juskowiak ficam-se por aqui. Este Polaco encantou-me apenas e só com aquele golo, que apesar de tudo teve o condão de fazer um miúdo de 4 anos de idade perpetua-lo na memória por quase duas décadas, mesmo não tendo sido ele nenhuma das estrelas maiores do nosso campeonato… Apesar de tudo tenho que dizer que eu recordar-me disto sou invadido pela nostalgia, que me faz lembrar que eu já fui criança… e me faz lembrar o quanto eu amava e amo a ARTE do futebol, independentemente da camisola que os artistas tivesses vestida, e a prova viva disso é: Andrzej Juskowiak!



sábado, 13 de outubro de 2012

9 - Paulo Turra (Boavista 01-04)




Bem a caderneta da Panini presta agora homenagem àquele que é possivelmente dos jogadores mais caceteiros de que tenho memória a jogar no futebol português: o antigo central do Boavista Paulo Turra! Para mim este nome há-de sempre ser sinónimo de “paulada no osso” aos adversários, daquela que até doía só de ver. Era um jogador impetuoso, que limpava tudo que mexia e lhe aparecia à frente. A verdade é que se observamos os registos do jogador no campeonato português vislumbramos que só lhe foi exibida por três vezes a cartolina vermelha (para este senhor isto parece-me muito pouco) duas das vezes em jogos contra o Sporting CP, e tenho a certeza que em ambas as situações, nas palavras de Jaime Pacheco foram mal mostrados, embora Jaime Pacheco começa-se sempre as suas críticas com a frase “Toda a gente sabe que não gosto de falar dos árbitros, mas…”. Contextualizando a contratação de Paulo Turra o que vemos é que o Boavista tinha acabado de ser campeão e precisava de construir um plantel pronto a atacar a Champions Legue. Ora sabendo-se do gosto deste Boavista pelo futebol bem jogado a decisão da equipa técnica axadrezada achou por bem resgatar este brasileiro à equipa do Palmeiras. Decisão que porventura, anos mais tarde julgo que podemos dize-lo, não foi bem recebida pelos avançados mais tecnicistas do nosso campeonato. Contudo a equipa Portuense acabou por fazer uma caminhada interessante na maior competição de clubes da UEFA, caindo apenas na segunda fase de grupos (na altura que o organismo que regula o futebol europeu resolveu inventar uma geringonça muito manhosa que só durou duas épocas…), num grupo onde também figuravam Manchester United e Bayern Munique. Tudo isto porque, possivelmente, Paulo Turra era um jogador que do ponto de vista defensivo, com os seus métodos pouco aconselháveis lá ia cumprindo. Fisicamente era forte, recordo-me que a sua aparência fazia-me sempre lembrar um imigrante de Leste, mas os seu pés não eram um porto seguro para os seus companheiros de equipa colocarem a bola. Era o típico central do recebe e alivia que a baliza está já aqui atrás e ninguém quer problemas… A verdade é que nos seus 4 anos em Portugal (3 no Bessa e um depois em Guimarães) marcou mais golos que Anderson Polga: 2, Nacional da Madeira e Sporting de Braga foram as vítimas deste portento do futebol que andou por aí a espalhar o seu perfume pelos nossos relvados. Depois disto, em 2005, quando já vestia a camisola do Vitória do Minho abalou para a Escócia (definitivamente um futebol à medida de Paulo Turra), para representar o Hibernian. Só lá esteve um ano, depois tirou o bilhete de volta para o Brasil e ali acabou a sua carreira a jogar pelo Avaí. Na minha memória vão ficar sempre aquelas entradas impetuosas e aqueles pés que eram um verdadeiro susto… 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

8. Grzergorz Mielcarski (FC Porto 95-99)




Vamos falar agora daquele que é porventura o jogador do Futebol Clube do Porto com o qual eu tenho a história mais curiosa de simpatia… Por partes: tinha eu os meus 10/11 anos de idade, e como qualquer benfiquista com esta idade as minhas conversas sobre futebol resumiam-se a quando o Porto perdia (o que infelizmente não acontecia tantas vezes quanto isso), chegar ao pé dos meus colegas Portistas e cantar algo do género de: “O Porto perdeu… Toma, toma, toma”, e pronto basicamente era isto, que acho que era o que todos fazíamos na época da escola primária. Mas toda esta rivalidade era posta de lado quando chegava a casa. Eu tinha um GameBoy Color, com o fantástico jogo VRonaldo, e nela jogava quase sempre com o mesmo clube: O Futebol Clube do Porto. Porque razão? Porque jogava lá Grzegorz Mielcarski! Para quem nunca jogou VRonaldo eu passo a explicar: o jogo tinha uns gráficos que pouco tinham a ver com o PES 2013 como devem imaginar, e a uma das coisas que me recordo é de que quando se marcava um golo apareciam um placard muita manhoso, com a palavra “Goal”, e com o nome do jogador que tinha faturado por baixo. E era aqui que eu gostava de ver o nome Mielcarski. A piscar naquele placard. Como é óbvio aqueles jogos da GameBoy eram pouco elaborados e ao fim de 1 mês eu já conhecia as manhas de cor. E assim sendo eu jogando no modo difícil ganhava os jogos todos por 15-0. Era por isso que jogava no fácil… para ganhar por 30, e ver 30 vezes aparecer o nome de Mielcarski aparecer o raio do placard. Eu conseguia fazer 20 jogos seguidos, passar três horas a massacrar aquelas teclas, e sempre a fazer a mesma jogada, só para ver aquele nome aparecer. A jogada era simples: Roubava a bola na saída de bola da equipa adversária, corria em frente (ninguém me tirava a bola o que era fantástico) e depois remate em arco á entrada da área e GOLO DE MIELCARSKI! E fazia isto repetidamente, centenas e centenas de vezes, ao longo de horas e horas, sempre a mesma jogada, sempre exatamente a mesma coisa, de tal forma que até hoje ainda não sei como é que ninguém desconfiou que eu era autista. O motivo, a força que me movia era só ver o nome de Mielcarski. Vi este nome aparecer ali milhares de vezes (sim porque o homem marcava aos 600 e 700 golos por época), e hoje, antes de começar a escrever este texto, tive que ir ao Google pesquisar como se escrevia de forma correta o nome deles. É a beleza que tem a nossa infância, conseguimos entrar numa dimensão surreal, porque se formos a ver bem a melhor época de Mielcarski foi a de 97-98 onde marcou 3 golos… mas, pelo menos para mim, há-de ser sempre a estrela maior do VRonaldo…   

7. Verona (Belenenses 99-03)




Com a minha ida a Atenas o blog da Caderneta da Panini sofreu uma pequena interrupção, mas como tudo que é bom volta sempre, aqui está o tão desejado regresso. E que melhor maneira para voltarmos em grande do que falarmos de um jogador cujo seu nome é igual ao nome da cidade onde Romeu viveu uma linda paixão com Julieta? Quando digo isto, todos já devem ter percebido por certo que estamos a falar do antigo avançado do Belenenses: Verona. É um jogador, que mais uma vez confesso, só me lembro de alguns relatos radiofónicos e de uma ou outra transmissão televisiva. O seu nome no entanto ficou-me gravado na memória. Porquê? Simplesmente porque se chamava Verona. A verdade é que eu hoje em dia, muito provavelmente, nunca teria grande confiança num jogador com este nome, é daquelas coisas que me deixava logo de pé atrás, mas na altura achava-o bom jogador… porque tinha 10 anos… e ele se chamava Verona! Como é que eu com 10 anos podia não gostar de uma jogador chamado Verona? E é por isso que neste momento sinto que toda a minha infância se desmoronou. É triste descobrir que o Verona dos meus tempos de criança, dos meus domingos à tarde colado ao rádio, sem ouvir nada mais ou mais ninguém, se chama afinal Meirival Bezerra, e que aquele épico nome, pelo menos para mim, não passava de um apelido, que algum criador de sonhos decidiu dar a este Brasileiro, para depois destruir ao fim de todo este tempo… (e escusado será comentar a confiança que eu depositaria num jogador chamado Meirival Bezerra…). Mas deixando a semântica de lado e passando para o futebol propriamente dito, a verdade é que Meirival (para mim Verona morreu pela rádio), passou 6 épocas em Portugal, quatro delas nos azuis do restelo, que o contrataram ao Estrela da Amadora, onde passou uma temporada, e para onde voltou para cumprir a sua última época em Portugal, embora metade dela tenha sido passada no Olivais e Moscavide (é o que acontece a quem não respeita os sonhos de crianças apaixonadas por futebol como eu…), e principalmente é o que acontece a um avançado que faz 24 golos em 6 épocas em 137 jogos (já para não falar dos 29 cartões amarelos, estamos portanto a falar de um avançado mais caceteiro do que finalizador). Por estes número o que aparece daqui para a frente no seu currículo não deve ser surpresa para ninguém, voltou ao Brasil e representou colossos como: Aparecida (e é fantástico haver um clube com este nome), Canedense, Formosa, Araguaia, Potiguar, Mixto ou Inhumas (oi?), todos clubes portanto cujo o nome soa a algo como coletividades a jogar nos campeonatos INATEL da distrital de Beja. Mas a verdade é que por alguma razão eu gostava imenso deste jogador, e aqui fica a prova, que quando se tem a inocência dos nossos 10 anos, e gostamos simplesmente de ver uma bola a rolar no tapete verde, as nossas adorações são inexplicáveis, e a minha alegria a desembrulhar o cromo do avançado Meirival era a mesma com que desembrulhava um do avançado Mário Jardel…  

domingo, 7 de outubro de 2012

6 - Mladen Karoglan (SC Braga 93-99)




O Sporting de Braga dos anos 90 não era o Braga de hoje em dia. Quando pensamos nos Minhotos de hoje em dia, vemos uma equipa capaz de se intrometer na luta pelo título. A equipa desta da última década do século passado não. Era uma equipa de nível mediano, ainda em processo de evolução, e que em anos bons conseguia, no máximo entrar na luta pela Europa. Embora jogar em Braga nunca fosse fácil para ninguém, era uma equipa já com alguns jogadores interessantes e alguns deles mesmos marcantes, e eu recordo-me de muitos deles. Lembro-me que tinha aquelas cadernetas de cromos e algumas cassetes de VHS com resumos dessas épocas e de ambas, um dos jogadores dos Arsenalistas que mais me recordo dos tempos de miúdo era este avançado Croata: Mladen Karoglan. Como boa parte dos jogadores desta altura, de nível médio, que me vêm à memória, não existe nenhuma razão aparente para eu me lembrar deste em particular. Simplesmente porque talvez o nome Karoglan me soe mais “estranho” que os dos outros jogadores que por cá andavam (nesta altura o nosso campeonato ainda tinha muito jogadores portugueses, daí o nome Karoglan não me soar tão familiar, e talvez por isso o ter decorado), o que é certo, é que este jogador andou por cá 8 épocas (6 delas no SC Braga) e acabou mesmo carreira no Minho. Veio do seu país de origem da Croácia, na altura representava o NK Zagreb, no ano de 91 para representar o Desportivo de Chaves, que por esta altura contratava muitos jogadores de leste, e na época seguinte fez 10 golos no campeonato pelos Flavienses. Talvez tenha sido isso que tenha chamado a atenção dos dirigentes de Braga, que no inicio da época 93-94 o levaram para o 1º de Maio. Das minhas cassetes de VHS lembro-me de alguns golos deste jogador, não me recordo muito bem se era de grande qualidade ou não, mas a verdade é que durante a meia dúzia de anos que passou em Braga marcou 55 golos (só no campeonato). Curiosamente, e apesar de me lembrar de ver golos deste jogador, só dois me estão de facto gravados na memória: foram na última jornada do campeonato 97-98, o Braga recebia o Sporting, e batia os leões por 2-0 a zero, com dois tentos de Mladen Karoglan, no mesmo dia o Vitória de Guimarães batia o Vitória de Setúbal e alcançava a sua melhor classificação de sempre até à altura, um terceiro lugar. Foi daqueles que me ficou gravado na memória apenas pelos vídeos que assistia na televisão de minha casa, vezes sem conta, quando era criança, daquelas cadernetas da Panini, e porque na altura, os Bracarenses tinham um equipamento que eu achava imensa piada, com as bandeiras do Feira Nova estampadas na frente, e com elas, a correr pelos relvados do 1º de Maio, um Croata: Mladen Karoglan…

5 - Sigurd Rushfeldt (Benfica 99)




Vamos falar agora de uma das melhores piadas da história do futebol Português. O que não falta ao nosso campeonato é uma lista infindável de flops, é quase uma classe à parte de jogadores que fica gravada na nossa memória pelas piores razões. Mas o jogador que se segue não é um flop, é mais que isso: é uma cena triste, mas para quem se lembra quase de ir às lágrimas de tanto rir, que por cá passou. Vamos contextualizar: Corria o ano de 1999, o Benfica preparava a nova época, na altura presidido por João Vale e Azevedo (e logo aqui se vê que não vem boa coisa), e buscava no mercado um ponta de lança. Nos jornais correu muita tinta, como de costume aliás, mas o Benfica finalmente anunciou um nome. Tratava-se de um avançado Norueguês, que fazia parte de uma seleção do seu país com alguns nomes sonantes e quando estes nórdicos ainda metiam medo a alguém, e era porventura por esta altura um ou mesmo o jogador mais importante de um muito respeitável Rosenborg, com presença reservada todos os anos na Liga dos Campeões. Com um nome assim os jornais abriram às 13h, com pompa e circunstância para o anunciar: Rushfeldt ia jogar no Sport Lisboa e Benfica! Lá estava ele na sala de imprensa do estádio da Luz, com a camisola encarnada vestida, lado a lado com Vale e Azevedo e o discurso do costume: “Tenho muito para dar a este clube, e espero ficar aqui muitos anos!”. Não ficou, e é aqui que a piada começa. O problema é que por esta altura o avançado nórdico ainda não tinha o papel assinado, e como tal os seus direitos desportivos ainda não pertenciam ao Benfica. Nada que tenha inibido Vale e Azevedo de o fazer pisar o relvado da “velhinha” Luz, dar os habituais toques na bola diante de umas boas centenas de adeptos que queriam ver a nova estrela do seu clube ao vivo e a cores pela primeira vez. O aparato foi enorme, mas o restante elenco “benfiquista” já andava por outras paragens, a Áustria, onde a equipa estagiava. Sem demoras, no dia seguinte Rushfeldt já lá estava, a iniciar o estágio e a dar nas vistas. Tudo isto era perfeitamente normal, se ele fosse de facto jogador dos Lisboetas. Não era. E durante essa semana foram sendo públicas noticias sobre a alegada impaciência do Rosenborg para que o Benfica entrega-se as garantias financeiras relativas à transferência do jogador. Ora se há coisa que o Benfica dos anos 90 não tinha era garantias financeiras. O Rosenborg cansou-se de esperar, o empresário do jogador também, como tal, ainda menos de uma semana depois, enfiou o jogador dentro de um avião em Viena, sem qualquer tipo de justificações, e ao final dessa tarde, com Vale e Azevedo certamente com cara de parvo e sem saber o que se passava, Rushfeldt era de novo apresentado, em mais uma pomposa cerimónia, como jogador do… Racing de Santander! O presidente do Benfica ficou louco com aquelas movimentações todas (provavelmente porque não sabia que para contratar um jogador era preciso paga-lo), e no dia seguinte veio dar um das conferências de imprensa mais marcantes e cómicas da história do nosso futebol, quem não se lembra destas palavras, devia lembrar-se, são de ir às lágrimas. Segundo o ex. presidente dos encarnados, o clube não contratou Rushfeldt, não por não ter dinheiro, mas sim porque, e passo a citar: “Quando levei o Rushfeldt ao relvado da Luz, perante todos aqueles adeptos, tivemos que voltar ao balneário, porque Rushfeldt tinha mijado nas calças…”. Julgo que isto retrata muito bem aquilo que foi a gestão de Vale e Azevedo. Para a história fica uma situação no mínimo hilariante, desde a contratação que nunca existiu, ao facto do jogador ter feito uma semana de pré-temporada com uma equipa pela qual ainda não tinha assinado, até estas declarações deliciosas de Vale e Azevedo. Quanto a Rushfeldt nunca teve direito a cromo da Panini, talvez tenha tido direito àquela camisola com o seu nome estampado, e provavelmente para alguns, ficou com a fama de sofrer de incontinência urinária…

sábado, 6 de outubro de 2012

4 - Eliel (Belenenses 00-01)





Sem dúvida que para alguns jogadores a carreira quase se pode resumir a um único jogo. O jogo onde se transcendem. O jogo onde brilham e onde, diga-se, jogam mais do que sabem. Há jogos assim, e no campeonato nacional temos alguns destes fogachos. Recordo-me uma vez, em que vinha com alguns familiares de um dia de praia (não sei onde) no final de Agosto, portanto tinha ideia que se tratava de um jogo de início de campeonato (confirmei agora e tratava-se da segunda jornada), e no carro vinha a dar o relato de um clássico do futebol nacional: Belenenses – Futebol Clube do Porto. Como qualquer benfiquista com 10 anos de idade (falamos da época 2000/01), lá vinha eu no banco traseiro, mais morto que vivo desgastado por um dia a jogar à bola na areia, a torcer solenemente para que os azuis do restelo ganhassem a partida. E a verdade é que ganharam, por 2 bolas a zero. E é aqui que entra: Eliel. É aqui que entra, e no que á história do campeonato português diz respeito é quase aqui que sai. Este brasileiro bisou na partida (marcou aos 38 e 52 minutos), e colocava com 6 pontos os homens da cruz de Cristo na liderança do campeonato (onde presumo não tenham estado muito tempo). Eliel animou-se e uma semana depois voltava a faturar no empate dos Lisboetas a duas bolas em casa do Beira-Mar. E a partir daqui: Adeus Eliel. Até ao final do campeonato mais 18 jogos e um golo, da marca de penalti, ao Leiria na jornada 21! Se olharmos para a carreira deste prodígio brasileiro vemos nomes de alguns clubes de respeito no Brasil, como por exemplo o São Paulo, a Portuguesa de Desportos e o Curitiba. Pelo meio passagens pela Rússia, Coreia do Sul e Japão… todas com o mesmo destino que em Portugal: um ano, e guia de marcha. No entanto compreende-se que quando chegou fosse grande esperança para os lados do Restelo. Tinha um currículo invejável ao pé de alguns que por aí andaram (e andam). Começou por fazer-lhe jus. Durou pouco. E voltou para o Brasil, para as divisões secundárias, por onde andou até aos fim dos seus dias como jogador. Para contar aos netos fica a história, do jogo que marcou 2 golos ao Porto, e deu a vitória à sua equipa. Se quiser adotar uma postura ainda mais heroica pode socorrer-se da classificação: sem aqueles dois golos a classificação do Belenenses não se alteraria (7º lugar), mas sem aqueles dois golos o Boavista ainda não contava com nenhum título de campeão nacional, esse tinha voada para as Antas… mas não voou, porque Eliel escolheu aquele dia 27 de Agosto, para se transcender, para brilhar… para jogar mais do que sabe…  

3. Jean Jacques Missé-Missé (Sporting 96-97)




Bem, vamos falar de flops. Todos os clubes o têm e certamente a corrida será equilibrada, nas por alguma razão o primeiro nome que me vem à cabeça é o do ex jogador do Sporting: Jean Jacques Missé-Missé. Não conhecem? Não perdem nada. Este camaronês chegou ao Sporting na época de 96/97, oriundo dos belgas do Charleroi, rotulado de estrela (e por alguma razão que quem se lembra de o ver “jogar” à bola é sobrenatural, aparentemente por lá era mesmo), pelas mãos do seu ex. treinador Robert Waseige, que exigiu trazer consigo o seu menino bonito, que havia marcado, presumo que sem saber bem como, 37 golos nas 3 épocas anteriores. José Roquete acedeu a este pedido, e em Junho aí estava ele, pronto a mostrar o porquê de ser conhecido na Bélgica como um avançado “móvel e letal”. Puro engano, nada mostrou. Foi titular nos primeiros 2 jogos do campeonato (pudera, Waseige tinha que mostrar a Alvalade a sua arma secreta), embora em ambos tenha sido substituído. Depois foi por mais duas vezes suplente utilizado: à 3ª e à 7ª jornada. De letal, nada mostrou (0 golos), e de móvel porventura no aquecimento. E de pouco lhe valeu a confiança do seu “mentor” Waisege. É que Missé-Missé podia enganar Waisage, mas Waisage já não enganava Roquete, e como tal em princípios de Dezembro de 96 o Sporting empatava em casa a zero com a União de Leiria, e o treinador leonino era substituído pelos seu adjunto: Octávio Machado, que agarrava o clube numa situação pouco confortável para lutar pelo título nacional: no 3º posto a já 7 pontos do Benfica, 9 do líder Porto e com um camaronês chamado Missé-Missé nas suas fileiras. O camaronês não foi problema, Octávio Machado encostou-o para canto e este não voltou a mostrar, nem por mais um minuto, toda a sua classe no relvado do antigo José de Alvalade. Não foi portanto de estranhar que logo no final dessa época (desastrosa) tenha sido transferido para o Trabzonspor. Para quem tinha dúvidas da qualidade deste avançado, ele retirou-as, só nessa época foi recambiado de três clubes: Trabzonspor, Dundee United e Chesterfield, acabando na época seguinte no Ethnikos Pireus da Grécia, de onde também foi recambiado a meio: voltou à Bélgica para representar o La Louviere. Acabou a carreira 5 anos mais tarde, por lá, no KV Mechelen. Para a memória fica um dos piores avançados da história do Sporting… para Missé Missé fica uma bonita coleção de camisolas…

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

2. Chiquinho Conde (Vitória de Setúbal)




Há aqueles jogadores que por alguma razão marcaram o campeonato português. Mesmo sendo por vezes jogadores, vamos chama-los de “classe média”, pertenceram à história de algum ou alguns clubes, e não sendo nenhumas estrelas são nomes que nos soam a todos familiares. Quando penso em jogadores assim, um dos primeiros nomes que me recordo é de: Chiquinho Conde. Não sendo nenhum portento, e não tendo tido passagens com grande brilhantismo por nenhum grande (tirando uma fugaz temporada pelo Sporting em 94/95, onde venceu inclusivamente uma supertaça Cândido de Oliveira), este Moçambicano fez 313 jogos e 87 golos na Liga Portuguesa, e foi claramente uma das maiores figuras do Vitória de Setúbal nos finais dos anos 90. Confesso que essas são as memórias que tenho dele. Com a camisola do Vitória do Sado, onde teve 6 temporadas, 2 delas entre 92 e 94(das quais não me lembro), 1 delas antes de uma passagem, também ela fugaz pelos NE Revolution, dos Estados Unidos, e 3 épocas, depois, consecutivas entre os anos de 98 e 2000. Curiosamente não foi aqui que ganhou aquele que é provavelmente o momento mais alto da sua carreira. Esse remonta ao ano de 1989. No dia 25 de Maio desse ano, sensivelmente um ano antes de eu nascer, o que explica o porquê de eu ter que recorrer a alguns registos para vos dar esta informação, o Belenenses, então com Chiquinho Conde nas suas fileiras, bateu por 2-1 o Benfica no Jamor e conquistou a Taça de Portugal. O Moçambicano não marcou, mas fez os noventa minutos pelos azuis do Restelo. Por onde continuou, depois lá teve umas passagens por Braga, Sporting, pela MLS, mas foi no Bonfim que sempre foi acolhido. E as razões são facilmente explicadas. Só na última época pelo Vitória de Setúbal, já com 34 anos, Chiquinho Conde fez 14 golos na Liga, números que tomara muitos avançados da primeira divisão hoje em dia fazerem no pico da sua forma. Mas como tudo, as carreiras acabam ou começam a cair. Aparentemente o amor de Chiquinho Conde pelo futebol é que não, daí o avançado ainda ter continuando a praticar a modalidade até aos 39 anos, onde aí sim, decidiu por um ponto final definitivo na sua carreira, corria o ano de 2004, e o Chiquinho Conde que pisou durante 13 épocas os palcos principais do futebol Português, representava já o Olímpico do Montijo. Na memória fica-me um símbolo, dos que fazem agora falta, do futebol nacional, e um profissional como já não se fabricam. Dele hei-de sempre recordar aquela narração que tantas vezes escutei na rádio:

“É golo do Vitória de Setúbal! Marca Chiquinho Conde!”

1. Goran Cumic (Tirsense 95-96)




Não me perguntem porquê, mas uma das minhas primeiras memórias futebolísticas mais viva remonta à época 95/96 e jogava no Tirsense. Recordo-me que essa foi a última temporada da formação de Santo Tirso no escalão maior do futebol português e recordo-me como se fosse hoje da última jornada desse campeonato. Lembro-me que a disputa pela permanência estava renhida, e que ainda ninguém havia sido definitivamente relegado para a segunda divisão antes dessa fatídica jornada 34. Foram nove as equipas que acabaram apenas separadas por 5 pontos, entre o 10º e o 18º lugar (para que conste: 10º Farense 36p; 11º Salgueiros 36p; 12ª Gil Vicente 36p; 13º Estrela da Amadora 35p; 14º Chaves 34p; 15º Leça 34p; DESPROMOVIDOS: 16º Felgueiras 33p; 17º Campomaiorense 33p; 18º Tirsense 31p;) Isto tudo na altura em que ainda havia as grandes tardes de domingo de futebol na rádio, com 9 jogos em simultâneo, e à mesma hora, e em que tudo ficava decidido. O meu pai estava a ouvir todos esses acontecimentos pela Antena 1, e eu não parava de perguntar o resultado do jogo do Tirsense, porque, não sei porque razão, gostava do Tirsense. Achava piada àquele equipamento preto e àquele leão branco do símbolo com o fundo negro, e quando se tem 5 anos isto é mais que suficiente para se gostar de um clube… A verdade é que o Tirsense acabou por perder esse último jogo do campeonato, com um rival direto, o Campomaiorense (por 3-1 e com dois golos de Jimmy Floyd Hasselbaink), e levou mesmo com o guia de marcha para a segunda divisão. Desse Tirsense, recordo apenas um jogador, e foi por isso que me lembrei desta época, deste Tirsense: Goran Cumic, mais conhecido pelo seu primeiro nome: Goran. Poucos serão os que dele se lembram e eu também não tenho razão aparente para me lembrar. A verdade é que havia dois guarda-redes que por motivos que até eu desconheço, venerava por esses tempos: Ele e Miroslav (ex. guarda redes da União de Leiria de quem podemos falar mais tarde). Este sérvio que a equipa nortenha contratou ao Kavala (e esta informação pesquisei-a agora), estava longe de ser uma estrela, ou um grande guarda-redes. O que é certo, é que quando eu jogava à bola com amigos, ou mesmo sozinho a fazer defesas contra a parede lá de casa, e me perguntavam que “keeper” eu era, eu respondia sempre: “Sou o Goran!”. Quem é o Goran? Boa pergunta…
Nunca mais ouvi falar nele. O Tirsense desceu e eu arranjei certamente outra equipa sinistra pela qual torcer. Aparentemente Goran ainda continuou por lá mais uma época, transferindo-se em seguida para o Felgueiras, e acabando carreira em Portugal, a jogar pelo, imagine-se: União de Montemor (o sonho de qualquer Sérvio que vem jogar para Portugal, com certeza). Defendeu as redes de uma equipa portuguesa na primeira liga por apenas uma época, mas ficou-me na memória. Depois sumiu-se e nunca mais foi protagonista de nenhuma dessas tardes de domingo de futebol em Portugal… e eu nunca mais fui Goran Cumic…

(Na imagem, Goran é o primeiro a contar da esquerda, camisola cor de rosa, na fila de cima)